AULA 02: MACROECONOMIA KEYNESIANA. HIPÓTESES BÁSICAS. AS FUNÇÕES CONSUMO E POUPANÇA. DETERMINAÇÃO DA RENDA DE EQUILÍBRIO. O MULTIPLICADOR KEYNESIANO. OS DETERMINANTES DO INVESTIMENTO.
1 - Trade-off do investidor se refere a uma escolha entre taxa de investimento e moeda (títulos) guiada pelos movimentos na taxa de juros. O empresário deve escolher entre comprar uma máquina e ficar líquido, isto é, comprar ativos financeiros. Mais máquinas representam menos ativos financeiros. E a preferência por ativos financeiros se dará às custas da redução do estoque de máquinas.
2 - A teoria de Keynes é baseada no principio de que os consumidores alocam as proporções de seus gastos em consumo e poupança em função da renda. Quanto maior a renda, maior a percentagem da renda poupada. Assim se a renda agregada aumenta, em função do aumento do emprego, a taxa de poupança aumenta simultaneamente.
3 - O problema de Keynes está no lado da demanda. Deve-se notar que, para o estado aumentar a demanda efetiva, ele deve gastar mais do que arrecada, porque a arrecadação de impostos reduz a demanda efetiva, enquanto que os gastos aumentam a demanda efetiva. A intervenção da autoridade fiscal pode aumentar a previsibilidade dos agentes face à demanda futura, minimizando a incerteza em relação ao estado futuro da economia. Entra, então, a proposição de Keynes no sentido da formatação de um plano de investimentos públicos para assegurar uma demanda agregada mínima.
4 - Os keynesianos, a partir da análise empírica do modelo IS-LM, detectaram que a política fiscal é mais eficaz que a política monetária para estabilizar a demanda agregada, recomendando, a discrição fiscal. Em razão disso, essa corrente ficou taxada como fiscalista por propor políticas de gastos e déficits.
5 - A lei de Keynes afirma que os níveis de emprego e utilização da capacidade dependem dos determinantes da demanda agregada e, em particular, da decisão de investir das classes capitalistas e da propensão marginal a consumir a partir das diferentes fontes de renda.
6 – A demanda por moeda apresenta duas determinantes motivações: a primeira motivação é a transacional, necessária para cobrir os gastos diários de consumo e totalmente dependente da renda - quanto maior o nível de renda, maior a demanda por moeda motivo transação; a segunda motivação é a especulação intrinsecamente ligada aos rumos da taxa de juros - quanto maior a taxa de juros, menor a demanda por moeda motivo especulação.
7 - De forma inversa ao pressuposto clássico da Lei de Say ("a oferta cria sua própria demanda"), a abordagem keynesiana simplificada afirma que a demanda agregada determina o nível da oferta agregada e, conseqüentemente, o nível da renda de equilíbrio.
8 - Demanda Agregada, Renda e Produto de equilíbrio numa economia com 2 agentes:
Produto de Equilíbrio:
- Hipóteses:
a) Consideramos uma economia com 2 agentes sem governo ( G=T=R=0) e sem setor externo ( X = 0)
b) A identidade entre demanda, renda e produto para essa economia será:
C + I = Y = C + S
c) A demanda agregada será considerada "autônoma", isto é, independente do nível da renda.
d) Consideramos que as firmas tentarão produzir de modo que a variação não planejada de seu estoque seja igual a zero (isto é, que as firmas tentarão vender tudo que produzem) e que o consumo efetivo das famílias será igual ao seu consumo planejado (isto é, que não haverá escassez de oferta).
- Funcionamento:
O nível de produto (Y) é determinado pelas firmas. Ao decidir o quanto produzir, as firmas estimam:
i) o quanto de investimento desejam;
ii) o quanto esperam que as famílias consumam.
Chamando a demanda agregada (C + I) de "A", diz-se que a demanda agregada planejada (A planejada) consiste no volume de consumo planejado pelas famílias mais o volume de investimentos planejado pelas firmas, ou seja,
A planejado = C planejado + I planejado
A demanda agregada efetiva é igual ao nível de produto (Y), ou seja,:
A = C + I
A efetiva = Y
Y = C + I
Supondo que o consumo efetivo é igual ao consumo planejado, um erro de previsão para mais acarretará um investimento involuntário no sentido de aumento do estoque enquanto um erro de previsão para menos acarretará um escoamento de produtos também involuntário. Algebricamente,
I involuntário = A efet – A planej
Sabendo que a demanda agregada efetiva é igual ao nível do produto, isto é, A efet = Y , que Y = C + I, e que a demanda agregada planejada é igual à soma do consumo e do investimento planejados A planej = C + I voluntário, então,
I involuntário = Y – ( C + I voluntário)
Produto de equilíbrio é o nível de Y em que a demanda agregada efetiva se iguala à demanda agregada planejada. Para o produto de equilíbrio, o investimento involuntário é igual a zero e demanda agregada efetiva é igual à demanda agregada planejada.
Produto de Equilíbrio I invol = 0 e A efet = A planej.
Finalmente, observem que as firmas sempre aumentam sua produção quando o nível do produto estiver abaixo do nível de equilíbrio e que diminuem sua produção em caso contrário. Isto nos leva a crer que o produto da economia está sempre tendendo ao equilíbrio.
A FUNÇÃO CONSUMO
9 - Representa uma função consumo com as três propriedades propostas por Keynes.
Primeira: a propensão marginal a consumir se situa entre 0 e 1.
Segunda: a propensão média a consumir cai quando a renda aumenta (PMeC declinante).
Terceira: o consumo é determinado pela renda corrente.
10 - Em uma economia fechada, a demanda agregada é a soma das demandas de consumo, investimento e gastos governamentais.
11 - O consumo pode ser expresso como uma função positiva tanto da renda disponível atual quanto futura e como função negativa da taxa de juros.
12 - O investimento reage positivamente à produtividade marginal esperada do capital e negativamente à taxa de juros.
13 - O gasto governamental é considerado exógeno.
14 - Quando combinamos as equações básicas de C, I e G, encontramos uma expressão de forma reduzida para a demanda agregada, como função positiva da futura renda prevista, da produtividade marginal esperada do capital e do dispêndio governamental e uma função negativa da taxa de juros e dos impostos. Suponhamos que o consumo, antes autônomo, agora passe a ser uma função da renda. E o investimento planejado permaneça constante, independente da renda, ou seja,
C = f(Y)
I = I
O consumo será considerado uma função linear da renda:
C = Ċ + cy
Ċ – consumo autônomo, independente da renda (questão de sobrevivência)
c – consume induzido (questão de padrão de vida)
O coeficiente "c" é denominado "propensão marginal a consumir" (PMgC), "na margem", "extra", "adicional" e vem a ser o aumento do consumo a cada aumento unitário da renda.
PMeC = C/Y é a propensão média a consumir dada por aquela relação para diferentes níveis de renda.
A PMeC decresce continuamente à medida que aumenta a renda, com o detalhe de que C aumenta menos do que proporcionalmente aos aumentos de Y, pelo fato de c estar entre 0 e1.
Qual a possível relação a ser estabelecida entre a PMgC e a PMeC?
Bem, sabemos que:
PMeC = C/Y e PMgC = ΔC/ΔY.
Logo, C/Y = a/Y + bY/Y .
Daí, vem que:
PMeC = a/Y + PMgC e, conclui-se que, PMe > PMg. Essa simples demonstração já foi solução para questões aparentemente complexas com textos longos, identidades e equações do modelo keynesiano simplificado.
A FUNÇÃO POUPANÇA
15 - Não existe função poupança independente tal como uma função consumo. A função poupança é tão somente a "imagem espelhada" da função consumo.
Por hipótese, C + I = Y = C + S
Y = C + S
S = Y – C
S = Y – (Ċ + cY)
S = Y – Ċ – cY
S = -Ċ + Y – cY
S = -Ċ + ( 1 – c)Y
O coeficiente "1 – c" é denominado propensão marginal a poupar (PMgS) e seu valor corresponde ao restante da parcela c do consumo.
Como encontrar produto de equilíbrio através da fórmula de demanda agregada?
Y = A
A = C + I
A = C + cY + I
A = C + I + cY
A = A + cY
Y = C + I + cY
Y – cY = C + I
Y( 1 – c) = C + I
Y = 1/1 – c ( C + I)
Y = 1/ 1 – c (A)
Observa-se que:
i) quanto maior o c, mais inclinada será a curva de demanda agregada e mais alto será o nível de equilíbrio da renda.
ii) quanto maior o consumo autônomo, mais alto será o nível de equilíbrio da renda.
16 - Um aumento de gastos governamentais dá origem a um aumento da demanda agregada maior do que o aumento inicial de gastos do governo. O motivo é o efeito multiplicador (ponto fundamental para questões de concurso sobre modelo keynesiano simplificado): quando G aumenta R$ 1,00, a demanda agregada total inicialmente aumenta R$ 1,00, dados C e I. Mas, se a produção for determinada pela demanda agregada, a renda disponível tende a aumentar R$ 1,00, o que por sua vez, vai aumentar o consumo. O aumento do consumo, por sua vez, vai induzir outro aumento na produção total e outro aumento na renda disponível, gerando novo aumento do consumo.
17 - No caso especial de um aumento de gastos governamentais com orçamento equilibrado, o multiplicador é 1: a produção aumenta exatamente no mesmo valor do aumento nos gastos financiados pelos impostos.
18 - Se a propensão marginal a consumir for igual à propensão marginal a poupar, o valor do multiplicador será igual a 2.
19 - O multiplicador da renda numa economia fechada é maior do que em uma economia aberta.
20 - Quanto maior for a propensão marginal a consumir (ou menor a propensão marginal a poupar), maior será o valor do multiplicador.
21 - Em uma economia fechada e sem governo, quanto mais próximo de zero estiver a propensão marginal a poupar, maior será o efeito de um aumento dos investimentos sobre a renda.
22 - O valor do multiplicador pode ser maior do que 10.
23 - O valor do multiplicador não pode ser menor do que zero.
24 - Vamos introduzir agora o resto do mundo no modelo keynesiano simplificado, para determinar a demanda agregada, como fruto da soma das variáveis de diversos atores econômicos, onde:
C – consumo privado das famílias e das empresas
I – investimento privado (não inclui as adições involuntárias de estoque)
G – gastos do ente governamental
X - exportações
Dessa forma, a DA (demanda agregada) corresponde ao somatório abaixo:
DA = C + I + G + X
Na outra frente, encontramos a oferta agregada (OA) compreendendo o produto mais as importações, como demonstrado abaixo:
OA = Y + M
Traduzindo para o equilíbrio do produto/renda, tem-se como demonstrado:
Y + M = C + I + G + X ou, de forma sintética,
Y = C + I + G + X –M.
DETERMINANTES DO INVESTIMENTO
25 - O investimento está diretamente associado a três variáveis fundamentais, a saber: a taxa de juros, as perspectivas empresariais sobre a atividade (expectativas dos agentes) e o nível da capacidade instalada da economia (instalações produtivas das empresas).
26 - Se a capacidade produtiva das empresas ainda não chegou a seu limite, isto é, existe capacidade ociosa, através de máquinas subutilizadas e trabalhadores sem emprego, não há estímulo a novos investimentos. Por outro lado, se os trabalhadores encontram colocação, há capital disponível e as máquinas estão no seu limite de produção, o investimento será viabilizado o mais rápido possível.
Investimento e Mercado de Ações: q de Tobin
27 - O q de Tobin é assim mensurado: Valor de Mercado do Capital Instalado/ Custo de Reposição do Capital Instalado.
28 - Conceitos mais importantes que terão que levar para a prova:
1) Sobre a função consumo keynesiana (C = C + cY) apresentamos a PMgC (c) situada no intervalo entre entre 0 e 1. No limite inferior (0), todo acréscimo da renda irá se deslocar para a poupança ao passo que no limite superior todo incremento de renda se destinará ao consumo. A PMeC é decrescente. E o consumo é determinado pela renda corrente. Vale a seguinte regra: PMeC > PMgC.
2) Sobre a função poupança S = -C + ( 1 – c)Y , vale registrar que o coeficiente "1 – c" é denominado propensão marginal a poupar (PMgS) e seu valor corresponde ao restante da parcela c do consumo. Ou seja, PMgC + PMgS = 1.
3) Sobre o produto/renda de equilíbrio, temos que Y = 1/ 1 – c (A), onde:
i) quanto maior o c, mais inclinada será a curva de demanda agregada e mais alto será o nível de equilíbrio da renda.
ii) quanto maior o consumo autônomo, mais alto será o nível de equilíbrio da renda.
4) Sobre o modelo keynesiano completo (Y = C + I + G + X – M), vale o seguinte registro:
A demanda agregada (DA) corresponde ao somatório abaixo:
DA = C + I + G + X
E a oferta agregada (OA) compreendendo o produto mais as importações, como demonstrado abaixo:
OA = Y + M
Traduzindo para o equilíbrio do produto/renda, tem-se como demonstrado:
Y + M = C + I + G + X ou, de forma sintética,
Y = C + I + G + X – M.
5) E, finalmente, sobre q de Tobin, sua mensuração é dado por Valor de Mercado do Capital Instalado/ Custo de Reposição do Capital Instalado.
Se o q de Tobin > 1, então, o valor julgado pelo mercado supera o preço da aquisição da máquina e o empresário adquire a unidade de capital, viabilizando o investimento.
Se o q de Tobin < 1, então, o valor que o mercado está disposto a pagar pela unidade instalada é inferior ao custo de aquisição e o investimento perde sua viabilidade e não será concretizado.
Se o q de Tobin = 1, o valor estimado pelo mercado acionário é exatamente igual ao custo de reposição da unidade de capital instalado e o investidor é indiferente ao novo empreendimento.